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  • RENDEZ-VOUS CULTURAL - Arco do Triunfo é “empacotado” em obra póstuma dos artistas Christo e Jeanne-Claude
    A partir deste sábado (18) até o dia 3 de outubro, o Arco do Triunfo, convergência de artérias de Paris, fica embrulhada por um material prateado. O projeto do empacotamento é assinado por Christo e Jeanne-Claude, casal irreverente que marcou o universo das artes plásticas nas últimas décadas. A dupla ficou principalmente conhecida por empacotar grandes monumentos, como a Pont-Neuf, de Paris, em 1985, e o Reichstag, sede do parlamento alemão em 1995. Eles também intervieram no Central Park, em Nova York, no Japao e na Italia. Eles nasceram no mesmo dia, 15 de junho de 1935 – Christo, na Bulgária, e Jeanne-Claude, no Marrocos, onde seu pai era um militar francês de família aristocrata. Christo Vladimirov Javacheff fugiu do regime comunista e chegou a Paris em 1958. Para ganhar a vida, fazia retratos a óleo da burguesia parisiense, enquanto paralelamente realizava seus trabalhos pessoais. O quadro de uma grande dama da sociedade levou Christo a conhecer sua futura mulher e cúmplice nas artes, Jeanne-Claude Denat de Guillebon. Em 1964 eles se mudaram definitivamente para os Estados Unidos. A partir de 1994, passaram a assinar as obras conjuntamente, como Christo e Jeanne-Claude. Ela morreu em 2009, de um aneurisma Em 2020, o Centro Pompidou de Paris dedicou uma retrospectiva à obra de Christo e Jeanne-Claude. A abertura estava prevista para março, mas foi adiada para julho, por causa da pandemia. Christo faleceu em maio, aos 84 anos, em Nova York, onde trabalhava no projeto do Arco do Triunfo.   A ideia do empacotamento começou quando Christo embrulhou um pote de tinta, envolvendo-o com resina e tela de linho. Depois, passou a embrulhar tudo e qualquer coisa. Ainda em Paris, sua primeira instalação, “Cortina de Ferro”, foi também um ato político e engajado, em 1962. Com barris de petróleo vazios e retrabalhados, ele fechou uma rua de Paris de madrugada, uma referência ao muro dividindo a Alemanha, que ele viu sendo construído. Depois interagiu com vastas paisagens americanas, já usando tecidos e cores. Em 1985, o artista embalou a famosa Pont-Neuf em Paris. A intervenção causou polêmica, muitos criticaram a ideia de "ocultar" um monumento histórico. Agora, é a vez do Arco do Triunfo. “Sempre fui um nômade. Fugi do comunismo, era um tempo difícil de se sobreviver. Eu já era estudante de arte, queria ir para Paris e consegui. A minha vida é a arte. A arte antes de tudo, liberdade total para a arte”, declarou Christo em 2016, ao jornalista José Marinho da RFI, durante uma mostra na Fundação Maeght, em Saint Paul de Vence, no Sul da França. As obras monumentais de Christo e Jeanne-Claude eram autofinanciadas – os artistas vendiam seus trabalhos para pagar os custos. O Arco do Triunfo, de 50 metros de altura, foi embrulhado com um tecido prateado e amarrado por 3 mil metros de cordão vermelho. Engenheiros e cordistas trabalharam 24h por dia para finalizar o projeto.   Laure Martin, historiadora de arte, supervisionou o projeto: “Usamos 25 mil metros quadrados de tecido, o que representa cinco campos de futebol. Precisamos também de 3 mil metros de cordão vermelho – é a distância que separa o Arco do Triunfo da pirâmide do museu do Louvre”. O embrulho parece agradar a maioria. Os turistas param para fotos, os franceses vão até ali para tirar fotos. O parisiense Jean Pierre aprova: “Eu amo o Arco do Triunfo porque sou francês e parisiense. Isso é arte, e assim sendo, provoca sempre reações positivas ou negativas. Eu aprovo. Eu vi quando ele empacotou a Pont-Neuf – acho que ela nunca foi tão admirada quando não podia ser vista. E agora é a mesma coisa, vamos prestar muito mais atenção no Arco do Triunfo agora que não podemos vê-lo". O Arco do Triunfo empacotado pode ser visitado até o dia 3 de outubro.
    9/17/2021
    6:53
  • RENDEZ-VOUS CULTURAL - Passages Transfestival explode fronteiras e joga holofotes sobre criadores brasileiros na França
    Um festival engajado que, em 2021, mergulha na criação de artistas brasileiros para estabelecer pontes transculturais na discussão das artes cênicas, no coração de um país transcontinental – o Brasil – palco vivo de dilemas políticos, onde a criação é mais do que nunca ameaçada. Esse é o mote dessa edição do Passages Transfestival que celebra seus 25 anos na cidade de Metz, pólo cultural no leste da França. No cardápio, artistas brasileiros esquentam o chão da cena contemporânea com performances, teatro, balé e música. Entre eles, criadores como a coreógrafa Morena Nascimento, que assina junto a Lucas Resende o espetáculo "O Vento", com o balé da Ópera de Metz. A trajetória de Morena começou cedo na dança. Nascida em uma família de bailarinos e coreógrafos, a artista traz consigo uma experiência de 25 anos em palcos brasileiros e internacionais, com passagens por companhias renomadas como a alemã Tanztheater Wuppertal, de Pina Bausch. “Já faz algum tempo que venho me interessando muito pelo diálogo entre a dança contemporânea e a música contemporânea brasileira, feita no Brasil”, conta Nascimento. “Isso começou com um espetáculo chamado ‘Um jeito de corpo’ que coreografei para o Balé da Cidade de São Paulo, quando experimentei pela primeira vez um mergulho mais profundo em canções brasileiras do Caetano Veloso. A partir daí, fiquei interessada em explorar cada vez mais essa relação”, conta. Para “O Vento”, espetáculo que a coreógrafa estreia com o balé da Ópera de Metz, Morena decidiu seguir nessa linha de pesquisa com as músicas brasileiras, num diálogo com a vocação transdisciplinar do festival. “A maior inspiração, a maior ignição de criação desse trabalho são as músicas. É como se as músicas trouxessem o tom dramatúrgico do espetáculo, como uma espécie de paisagem ou de qualidade de sentimento, de intenções, de temperamentos para a cena”, detalha. “Todas as coreografias, todas as cenas, todas as transições de cena foram pensadas a partir das músicas escolhidas de várias épocas, que, acreditamos, traduzem muito bem um aspecto não só artístico mas também político e social do Brasil hoje”, diz a artista. “Eu sempre acreditei que a música brasileira conta a história do Brasil”, afirma. “Meu trabalho, assim como o do Lucas Resende, sempre foi pautado pela transdisciplinaridade. Dialogamos como várias camadas artísticas,  e acreditamos que todas elas num espetáculo de dança – seja luz, imagem, som, espaço, textos, subtexto, movimento ou corpo – tudo isso dialoga de uma maneira horizontal na obra”, avalia Nascimento. “Sobre a transcontinentalidade [do Passages Transfestival], acredito que trazer esse Brasil de hoje para a França é uma forma de diálogo, principalmente durante a pandemia, quando percebemos que pertencemos a um único mundo”, analisa. O performer e coreógrafo Volmir Cordeiro e o percussionista Washington Timbó trazem para a cena transcultural do Passages Transfestival a vulnerabilidade vivida por alguns corpos no espaço público com o espetáculo "Rua", que estreou em 2015 no Museu do Louvre, em Paris. “Junto com [Washington] Timbó, estamos preocupados em problematizar de fato que corpo está exposto à violência policial, ao machucado, às dores, e tudo o que está envolvido quando o corpo se expõe na rua, essa vulnerabilidade que é aparecer publicamente”, diz Cordeiro. “Mas, mais do que isso, a gente quer ver a rua como uma infraestrutura, um espaço que garante a possibilidade de manifestar e de existir como corpo. Estamos os dois expondo uma espécie de conflito transcultural, pelos nossos próprios corpos, pela dramaturgia que os nossos corpos expõem quando se encontram, mediados pelo tambor nessa peça, para abordar justamente essa questão do direito de existir como corpo e de se manifestar, colocando em xeque o conflito de nossos dois corpos ali na cena”, argumenta. Violência & Carnaval Volmir Cordeiro trabalha com a transposição de conceitos como festa e violência no espetáculo "Rua". “Convidei o Timbó para assistir as danças que estava criando a partir de poemas do Bertold Brecht do ‘ABC da Guerra’, com um ímpeto muito forte nas noções de humilhação, de violência, de dor e de guerra, de sangue, de ferida. Ele propôs então de trazer o atabaque para completar com energias de fogo, de vento e de água, elementos que ele reconheceu na cena. As batidas do Timbó vêm para intensificar a violência e a festa, e esse paradoxo que a peça busca abordar em cada cena, misturando sempre violência e carnaval, dentro dessa ideia de que não existe carnaval se não houver morte, assassinato. A mistura dessas duas energias é intensificada pela presença do tambor”, diz o coreógrafo e performer. Ele acredita que “certos corpos” seguem ameaçados no espaço público. “Tem essa ideia atrapalhada de ‘segurança’ que é produzida e veiculada pela direita e pela extrema direita de que precisamos de mais policiais, penalização e perseguição, sobretudo dos artistas na contemporaneidade”, avalia Cordeiro. “Poderíamos reverter esse ideia de segurança para um conceito mais amplo que garantisse abrigo, educação, cultura, arte, teatro, festa e também mecanismos de enfraquecimento da desigualdade. Quando conseguirmos sair da lógica da segurança que produz medo e que coloca o corpo nesse comércio da segurança. Isso tudo é capitalizado e cooptado por essa lógica policial”, afirma. "Feijoada" O bailarino ecoreógrafo Calixto Neto estreia em Metz o trabalho “Feijoada”, que também faz parte do Portrait Lia Rodrigues, coreógrafa brasileira homenageada este ano Festival de Outono da capital francesa.  “Considero o ‘Feijoada’ como um spin off [transposição, derivagem] do ‘Samba do Crioulo Doido’, essa peça que danço desde o ano passado do Luiz de Abreu, criada em 2004. Nesse trabalho, tem uma das cenas onde eu danço ao som de uma bossa nova, com uma receita de feijoada sendo falada em francês. Me interessou mergulhar nessa tensão criada por essa música alegre, essa apropriação que é a bossa nova, falando de uma feijoada. Em cena a gente vê um corpo negro, criando essa ligação entre a carne negra e a carne que faz a feijoada”, diz Neto. “O ‘Feijoada’ é então um mergulho nas características dessa cena, da alegria e da violência que compõem o nascimento desse prato e até mesmo a nossa história no Brasil”, analisa o coreógrafo. “É uma peça que tem um tripé composto por uma roda de samba, que toca ao vivo; uma feijoada, que vai ser feita durante as duas horas da performance, e convidados que vão aparecer e desaparecer em momentos específicos, para dizer alguns textos”, antecipa Calixto. “É  uma roda de samba diferente, com um repertório que é pensado em função da preparação dessa feijoada e em função dos textos que são ditos. Acredito que para nós, brasileiros, será também algo bem especial”, afirma. O Passages Transfestival com foco na criação de artistas brasileiros fica em cartaz na cidade de Metz até o dia 12 de setembro.
    9/3/2021
    7:49
  • RENDEZ-VOUS CULTURAL - Festival em Paris destaca prioridade ao coletivo da coreógrafa Lia Rodrigues
    O Festival de Outono de Paris - tradicional evento de artes plásticas, dança, teatro e música - traz em sua 50ª edição uma homenagem especial à coreógrafa brasileira Lia Rodrigues. A artista apresenta uma nova criação, “Encantado” e convida outros dez coreógrafos para apresentar obras dentro do painel “Retrato Lia Rodrigues”. Por Patricia Moribe, da RFI Lia Rodrigues fundou sua companhia em 1990, que desde 2003 é sediada e atua no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, de onde são originários vários dançarinos. O grupo se apresenta com frequência na França, onde Lia Rodrigues já recebeu vários prêmios. Além de “Encantado”, três outros trabalhos de Lia Rodrigues estarão em cena: “Nonoroca”, “Exercício M, de movimento e de Maré”, e “Contra os que têm gosto difícil”. Convidada para ser um dos eixos do evento, Lia Rodrigues optou pelo coletivo, uma constante em sua trajetória. Ao invés de apresentar suas próprias criações, ela convidou outros dez coreógrafos brasileiros para compor o panorama. “Fui formada por outras pessoas, não estaria aqui se essas pessoas não tivessem existido. Eu me vejo como uma pessoa coletiva”, diz Lia. “Para mim, trabalhar e criar significa estar em um mar em movimento, onde ondas trazem ideias, encontros, pessoas, depois recuam, para em seguida penetrar no oceano, onde se misturam tantas outras ideias de danças do passado, num movimento constante”, explica. Os coreógrafos convidados são Marcela Levi, Lucia Russo, Gabriela Carneiro da Cunha, Luiz de Abreu, Cristina Moura, Marcelo Evelin, Renata Carvalho, Ana Pi, Thiago Granato e Volmir Cordeiro. “A Lia é um fundamento na minha vida”, diz Volmir Cordeiro. Ele contou à RFI que viu o primeiro trabalho de Lia aos 14 anos, em Concórdia, no interior de Santa Catarina. Aos 21, ele já integrava a companhia da coreógrafa. “A minha vinda à França está totalmente ligada ao fato de eu ter feito turnês com ela aqui, ter descoberto mestrados, produções e o modo de criação na França”, diz Cordeiro, que um nome consagrado do cenário francês. Cordeiro apresenta “Metrópole”, uma peça de três atos, composta junto com o percussionista francês Philippe Foch. O objetivo, conta o catarinense, “foi criar uma intensidade em relação à maneira como eu percebo a metrópole”. Os três atos giram em torno do terror, da revolta e da estupidez. “São três maneiras de abordar uma certa concepção da metrópole que eu identifico na contemporaneidade, bastante baseada na atitude ‘blasée’ de indiferença ao outro, de vontade de distanciamento do outro, ainda mais evidente agora, com a situação pandêmica”. “Deixa Queimar” é o trabalho intenso e perturbador de Marcela Levi e Lucía Russo, da companhia Improvável Produções, baseada no Rio de Janeiro. Sozinha em cena, a dançaria Tamires Costa, coautora da peça, incorpora, mescla e exagera impressões deixadas por artistas e personagens negros – de Joséphine Baker, passando por Michael Jackson e Grande Otelo, até Nina Simone. “Colocamos em questão essa relação, mas de maneira torcida, com uma mulher negra ocupar o lugar que foi delegado ao negro na indústria do entretenimento durante muitos anos”, disse Levi à RFI. “Às vezes a Lia não aparece de maneira direta no nosso trabalho, mas ela está infiltrada no jeito de trabalhar, no dia a dia, na insistência, numa relação muito rigorosa não só com o campo artístico, mas como ela se pensa o tecido social e sócio-político”, conta Lucía. Marcela Levi – que trabalhou com Lia Rodrigues durante oito anos - faz um paralelo do “retrato” que a coreógrafa montou no Festival de Outono de Paris, com a criação do festival Panorama, há 25 anos. Encarregada da programação do Espaço Cultural Sergio Cardoso, no Rio de Janeiro, Lia decidiu também na época não mostrar o próprio trabalho, mas convidar outras pessoas. “Era uma época em que não havia campo de trabalho e nem espaço para as pessoas se profissionalizarem”, diz Marcela. “E assim foi a primeira edição, não tínhamos nada, e o Panorama se tornou o maior festival de dança do Rio de Janeiro”. “Agora estamos vivendo um momento nefasto”, acrescenta Levi. “As subvenções não existem mais, a cultura foi destruída, a dança no Rio de Janeiro foi dizimada. Há uma política ativa de destruição da arte, onde se destrói a capacidade crítica. As pessoas não têm ideia do que se vive no Brasil”, observa. A 50a edição do Festival de Outono de Paris tem inicio no dia 1° de setembro, com “7 Deaths of Maria Callas”, uma aguardada instalação-performance da artista plástica Marina Abramović, nascida na Sérvia.
    8/27/2021
    6:36
  • RENDEZ-VOUS CULTURAL - Estábulos reais de Versalhes apresentam novo espetáculo do mestre do teatro equestre Bartabas
    Pioneiro de uma expressão artística inédita, combinando equitação, circo, música, dança e teatro, o diretor e cavaleiro francês Bartabas criou um novo tipo de performance cênica: o teatro equestre, gênero que inaugurou na França com a Companhia Zingaro em 1984. Desde 2003, no entanto, ele dirige também a Academia Hípica de Versalhes, que reabre ao público neste verão francês com o espetáculo “La Voie de l'écuyer, Opus 2021". Bartabas brinca com a cumplicidade entre as amazonas e seus cavalos, num espetáculo construído em uma sucessão de cenas curtas, alternando diferentes disciplinas equestres, como esgrima, adestramento, acrobacias e canto. Com trilha de Johann Sebastian Bach (1685-1750), as primeiras passagens das cavaleiras e alunas da academia no picadeiro são introduzidas por trechos de textos de grandes nomes da arte equestre europeia. Laure Guillaume, coordenadora da escola-teatro da Hípica de Versalhes e fiel escudeira de Bartabas há 18 anos, relata que o manejo dos animais é feito de forma gradual. "Aqui os cavalos chegam como potros muito novinhos, então os tocamos bastante para se sentirem em confiança, deixamos que eles tomem posse do espaço. Nós os habituamos a saírem juntos em liberdade, deixamos que eles brinquem sozinhos e depois voltem para junto de nós, para que depois, pouco a pouco, eles se sintam confiantes no manejo com o público. Em geral os colocamos em cena depois de um ano e meio, dois anos", conta. Uma das cenas mais encantadoras e selvagens do espetáculo é quando os jovens animais são liberados sem comandos, correias ou rédeas, e evoluem sozinhos no meio do picadeiro dos estábulos reais de Versalhes, fazendo charme para a plateia, completamente hipnotizada pelos animais. "É realmente necessário que os cavalos se sintam em confiança, porque senão depois eles ficam com medo em frente ao público e não vão se divertir. O mais bonito é quando estão confiantes e também se divertem", diz Laure Guillaume. Em cena, nove amazonas manipulam cerca de 35 animais de diferentes raças, com destaques para os lusitanos de olhos azuis, uma tradição de Versalhes, a raça de cavalo preferida de Luís 14. Entre as intrépidas cavaleiras, mulheres como Salomé Belbacha-Lardy, de 22 anos, que abandonou a carreira de advogada para viver sua paixão, entre o teatro e os cavalos.  "Faço parte do grupo desde julho de 2020 e antes disso eu estudava Direito, sou formada em Direito. Foi uma mudança radical de vida", relata. "Conheço a academia equestre de Versalhes desde pequenininha, porque nasci na região parisiense e vinha ver os espetáculos. Era uma coisa que sempre me interessou, fiz dez anos de balé clássico, eu já montava a cavalos e competia há pouco tempo", explica. "Estava me inscrevendo no mestrado de Direito quando a academia colocou um anúncio procurando cavaleiras para espetáculos. Minha mãe me incentivou a me inscrever, eu fui sem acreditar muito, mas fui aprovada nas audições e depois tive que escolher entre o Direito e minha paixão, e escolhi estar aqui", afirma a jovem amazona, responsável por Kodály, um lusitano raça pura, com nome que homenageia o compositor húngaro Zoltán Kodály.  Todos os animais recebem nomes de personalidades da filosofia, do teatro e das artes, e basta uma visita às estrebarias reais depois do espetáculo para conhecer "Molière", "Voltaire", "Gauguin", dependendo de quem já tenha sido escovado ou jantado sua porção de feno preparada carinhosamente por sua amazona.  Salomé explica um pouco mais sobre a rotina com os cavalos. "Normalmente, temos quatro animais cada uma.  Um “tema”, com o qual geralmente fazemos a cena do carrossel; um “Isabelle” com o qual fazemos a cena dos braços, e também a cena final, além da esgrima a cavalo; um pequeno pônei “Soraya”, que na verdade são os ancestrais dos “Lusitanos”, e depois temos ou um potrinho ou um “Przewalski”. Eu tenho esse magnífico cavalo negro do final, então temos um grupo de quatro cavalos cada", relata Salomé. A cumplicidade com os animais é essencial, segundo a jovem atriz e cavaleira. "É a Laure [Guillaume, coordenadora] quem nos atribui cada cavalo, ela fica atenta para que a dupla cavalo e mulher esteja bem e equilibrada, e que todas as duplas estejam em harmonia. Este é o caso, acredito, para a maioria de nós", afirma. O espetáculo “La Voie de l´écuyer” fica em cartaz na Hípica de Versalhes até 29 de agosto de 2021. Durante o Festival de Outono de Paris, Bartabas apresentará também a nova criação, um trabalho "minimalista" que tem encantado a crítica francesa, um duo do mestre do teatro equestre com seu cavalo "Tsar". Em outubro, a Cia Zingaro volta a botar o pé na estrada depois da estreia em Paris de "Cabaré do Exílio", em Aubervilliers, na periferia da capital francesa.
    8/6/2021
    6:01
  • RENDEZ-VOUS CULTURAL - 'Baladas Malditas' retraçam crimes históricos e lendas urbanas no coração de Paris
    Crimes históricos da velha Paris, paixões incandescentes desde a época de Lutécia [como a de Abelardo e Heloísa], reis assassinados em vielas estreitas, velhos fantasmas no mais antigo restaurante de Paris, nos arredores de Notre-Dame. Estas e muitas outras histórias arrepiantes da velha Cité, no coração e origem da capital francesa, são contadas durante as "Baladas Malditas", uma das atrações do Festival de Verão de Paris em 2021. O passeio, que dura duas horas pelas ruas da antiga Paris – ilha da Cité e Marais – traz também curiosidades como as origens de expressões como “o hábito não faz o monge” e “segurar vela”. Mas a galeria de personagens não para por aí, como conta o guia Guillaume Bertrand: "Podemos imaginar, por exemplo, quando a noite cai na velha Paris, os inúmeros mendigos que cercam Notre Dame, os quais pagamos com litros de vinho para que eles façam soar os sinos da catedral, para que os velhos padres não se machuquem. Eles se tornarão o que chamaremos de Quintal dos Milagres, ou o Reinado dos Ladrões, comandado pelo Rei da 'Tune'", conta Bertrand, relatando um dos roteiros nos arredores de Notre Dame de Paris. "'Tune' vem da gíria, uma espécie de língua criptografada usada por antigas maçonarias. Os ladrões tinham sua própria gíria para poder 'truander', ou seja, assaltar as ruas de Paris. Hoje temos na capital as ruas da Grande e da Pequena 'Truanderie'. Os 'truands' também eram os agentes do Fisco", lembra. "Nesta balada nós nos divertimos ao rir do trágico, das execuções públicas, as fogueiras humanas, a guilhotina, os excessos da Revolução Francesa. Meu objetivo também é fazer meus contemporâneos refletirem sobre como as histórias se repetem e as semelhanças entre passado e presente", sublinha o guia certificado de 33 anos, formado em Cinema e Hipnose. "Sempre gostei de contar histórias e me perguntava como criar uma experiência imersiva em Paris. As 'Baladas Malditas' nasceram há 5 anos ao cair da noite, e se destinam aos parisienses que, após o trabalho, queiram fazer uma escapada noturna no coração de sua velha Cité, porque é à noite que o mistério se revela – este é o conceito do passeio", diz. "Recupero narrativas muito antigas que são contadas através dos séculos na capital francesa. Não invento nada, eu realmente fui beber na fonte de velhos livros, de textos obscuros de magia e compilados históricos. Meu interesse é mostrar os vestígios dessa velha Paris e como ela foi construída ao longo dos anos", afirma Bertrand. Na famosa ilha de Saint-Louis, o guia Théo Abramovic destaca as grandes paixões ao fio dos séculos na “Balada dos Amores Malditos”. "Podemos contar, por exemplo, a história da rainha Margot, que morava bem na frente da ilha de Saint-Louis. Esposa de Henrique IV antes de ele se tornar o rei da França, e já separada dele quando o rei se instala em Paris, ela tinha uma reputação sulfurosa com suas inúmeras e tumultuadas aventuras amorosas aqui no hotel medieval de Sens, no Marais", lembra o guia, que se especializou na célebre ilhota no coração de Paris, residência de reis e artistas como Camille Claudel. "E, claro, para mim que amo poesia, não posso deixar de falar de Charles Baudelaire, que se apaixonou por Jeanne Duval, sua musa, que ele apelidou de 'Vênus Negra'", destaca Abramovic. "Jeanne morava na ilha de Saint-Louis, nascida de uma família de escravos libertados, e vivia sozinha numa grande pobreza; ela se prostituía, tinha várias doenças venéreas e muitos relatos da época falam em vícios em drogas. O próprio Baudelaire morava no Hotel de Lauzan, na ilha, onde ele fundou o famoso 'Clube dos Assassinos',  que na verdade era o 'Clube do Haxixans', os fumadores de haxixe", relembra o guia, antecipando uma de suas famosas "baladas". Para a chef Carole, de 45 anos, que participou das "Baladas Malditas" de Guillaume Bertrand nesta quarta-feira (21), o passeio foi recheado de "descobertas". "Sou da região parisiense, nasci aqui do lado de Paris e tem um monte de coisa sobre a capital que eu não conheço, que eu nunca havia visitado, então foi um passeio muito legal", afirma. "A gente fica com vontade de saber mais sobre Paris, há tantas épocas, tanta coisa a aprender, a saber... Mesmo se moramos aqui e vemos os grandes monumentos, acabamos não sabendo grande coisa, porque existem milhões de pequenos detalhes que desconhecemos e são passeios como esse que nos fazem descobrir essa outra Paris", diz a francesa. As "Baladas Malditas" de Paris ficam em cartaz no Festival de Verão da capital francesa até o fim de agosto.
    7/23/2021
    5:42

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