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  • RADAR ECONÔMICO - Ciclo de commodities já causa mais problemas do que benefícios ao Brasil, apesar de ser potência agro
    A alta dos preços das matérias-primas no mercado internacional ao longo deste ano, puxada pela retomada econômica mundo afora e a escassez de produtos primários, beneficia as exportações do Brasil num período de dura recuperação do país. Entretanto, o contexto doméstico de instabilidade faz com que esse cenário, que tinha tudo para ser favorável, acabe degradando ainda mais a situação econômica do país. Em 2020, o agronegócio movimentou R$ 2 trilhões em produção e serviços, ou mais de 26% do PIB brasileiro. Quase a metade das exportações, 48%, estão ligadas ao setor. O Brasil é um dos maiores exportadores do mundo de produtos como soja, minérios, cereais e carnes. Foi durante o último boom das commodities, nos anos 2000, que o país entrou num ciclo de crescimento em flecha e ascendeu a economia emergente. Mas desta vez, é diferente. A expectativa é que o aumento da demanda mundial, principalmente chinesa, possa durar anos – porém os benefícios dessa conjuntura para o Brasil são limitados. "Diferentemente de outras épocas, nós não tivemos mais problemas de balanço de pagamentos. Na crise de 2008, em 2011, nem na de 2015-2016, quando o PIB foi lá para baixo, nós não tivemos”, explica Francisco Lopreato, professor de Economia da Unicamp. "A grande vantagem que os grandes booms de commodities nos traziam, no passado, era nos ajudar nessa questão – mas agora, o grande efeito positivo que tinha não tem mais." Benefícios na Bolsa – mas alta generalizada dos preços para a população A renda do agronegócio atinge recordes – em 2021, deve chegar a quase o dobro da registrada há 10 anos, no setor de grãos, e um terço maior na pecuária. O bom momento das exportações sustenta a alta no mercado financeiro –  os papéis agrícolas e da pecuária respondem por um terço da movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), e atraíram de volta os investidores estrangeiros nos últimos meses. A movimentação baixou o câmbio e ajuda a explicar o descolamento entre os índices do Ibovespa e os resultados medíocres da economia brasileira. Na prática, porém, o que se vê é que a alta dos preços dos alimentos impacta gravemente a conjuntura brasileira: pressiona a inflação elevada, de acima de 8% e se aproximando dos dois dígitos, um recorde em 21 anos, e leva os juros a subirem de novo. O desemprego ultrapassa 14% e a aumento da pobreza segue preocupante. Somam-se a isso a crise política e energética e a seca prolongada, e alta das commodities acaba por resultar em mais danos do que benefícios. O aumento dos preços do petróleo, por exemplo, prejudica a economia como um todo. "Nos últimos 15 dias, teve três aumentos de gasolina. Nós temos uma matriz de transportes que é fundamentalmente de caminhão. O fato de ter aumento no petróleo leva a um aumento generalizado de tudo”, ressalta o economista da Unicamp. Sem planejamento Outro desafio é saber se o momento favorável ao agronegócio poderá impulsionar um programa mais amplo de investimentos, para aumentar a produtividade e melhorar as infraestruturas no país, para se tornar mais competitivo em outros setores, em especial industrial. Nos ciclos anteriores das commodities, o Brasil falhou em reverter o período de bonança em benefícios para o conjunto da economia. Desta vez, nada indica que será diferente. O economista ressalta que o presidente Jair Bolsonaro sequer menciona algum planejamento nesse sentido. "Ele não está preocupado com o país. Ele está preocupado com ele próprio. Ele não é um presidente que vai coordenar as ações, então é um desastre”, afirma Lopreato. "Baseado nos ganhos das exportações de commodities, não há nenhuma programação. Não se fala disso aqui, no Brasil. Não há uma discussão específica sobre o que vamos fazer com esse boom.” Nesta segunda-feira, um relatório do banco americano Wells Fargo apontou que o Brasil, junto com outros dependentes de exportações de matérias-primas, é um dos países mais vulneráveis ao desaquecimento da economia da China, pelo impacto prolongado da variante Delta da Covid-19 na economia mundial e o risco de quebra de gigantes imobiliárias no país asiático, como a construtora Evergrande.
    9/22/2021
    5:30
  • RADAR ECONÔMICO - Empregos sobrando: retomada acelerada leva a falta de mão de obra na Europa, inclusive estrangeira
    Serviços, agricultura, indústria, lazer: sobram ofertas de emprego em diversos setores em países como França, Alemanha ou Reino Unido, em meio a uma retomada econômica vigorosa. A crise sanitária aprofunda a falta de mão de obra, inclusive estrangeira, para preenchimento de vagas como garçom, cozinheiro, babá, recepcionista ou pedreiro. Lúcia Müzell, da RFI A pandemia de coronavírus abriu os horizontes para outras oportunidades e mudou a percepção sobre o trabalho – os cargos presenciais a 100% ou com horários difíceis têm tido menos candidatos. Thomas, gerente de um restaurante de Paris, vive uma situação inédita: nunca ficou tanto tempo com vagas abertas. "Tivemos que passar todo o verão praticamente sem ninguém, porque não tínhamos candidatos, nada. Tivemos que nos virar. Vieram dois jovens para ajudar por um período que eles podiam. Foi o melhor que conseguimos”, conta. "Não tem mais estudantes que assinam contratos por uma temporada, durante as férias. Não conseguimos encontrar até agora um verdadeiro chefe de fila para a sala." Thomas garante que o problema atinge em cheio os seus colegas no setor da gastronomia. Da mesma forma, agências de empregos de serviços gerais têm dificuldades de atrair interessados nas grandes cidades. A brasileira Silvia trabalha como auxiliar de limpeza e babá na capital francesa desde 2016. Pela primeira vez, ela está tendo a oportunidade de recusar trabalho. "No começo não foi fácil, mas agora está. Estou percebendo que agora tem muito mais opções do quando eu cheguei. Até então, para todos os trabalhos de babá que eu ficava sabendo, era preciso ter toda a documentação certa antes”, relata a paulistana. "Mas agora está mais fácil nisso também. Acho que, como tem pouca gente disponível para essas áreas, eles fazem entrevista, gostam e já chamam." Produção agrícola apodrecendo No campo, é ainda pior. Uma das áreas que mais tem sofrido com a falta de mão de obra  é a agrícola, fortemente dependente de trabalhadores sazonais. Ao impor restrições de deslocamentos nacionais como internacionais, a pandemia fez com que faltassem mãos para colher tomates na Itália ou uvas na França. Quem comenta é Jerôme Volle, presidente da comissão de empregadores da Federação Nacional dos Sindicatos de Produtores Agrícolas (FNSEA). "Hoje, o setor agrícola não pode ficar sem os trabalhadores estrangeiros. Não conseguimos atender às necessidades da produção agrícola. Nós pedimos que eles sejam regularizados e que o lugar deles seja reconhecido na França”, pleiteia Volle. "Talvez, se pudéssemos remunerar melhor, um maior público se interessasse por este setor, mas a questão que se coloca é a da concorrência desleal entre os países quanto ao custo do trabalho. Na Espanha e na Alemanha, os salários são muito menos elevados do que aqui”, justifica. Na Inglaterra, o problema é agravado pelo Brexit – as perdas nas colheitas de horticulturas já chegam a € 5 milhões, a produção de aves teve de ser reduzida em 10% e a penúria de açougueiros pode levar ao abate e cremação de rebanhos de porcos nas próximas semanas. Políticas para o emprego O economista Yannick L’Horty, especialista em políticas para o emprego e professor da Universidade de Paris Est-Créteil, afirma que os países precisarão reorientar os trabalhadores desempregados para essas áreas com carência de candidatos. Na França, por exemplo, o desemprego chega a 8%, dos quais 2,9% estão há mais de um ano sem conseguir uma vaga, conforme o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos). Ao mesmo tempo, um estudo da Banque de France apontou que 51% das empresas do país estão com algum tipo de dificuldade de encontrar perfis para as vagas oferecidas, inclusive para postos qualificados. "A solução é, evidentemente, a formação. É tornar mais fácil a transição profissional de um setor para outro, afinal ainda há setores com excesso de mão de obra. É preciso facilitar a mobilidade geográfica, profissional e de formação”, destaca o pesquisador. L’Horty ressalta, porém, que a tensão em algumas áreas do mercado sinalizam o quanto a retomada econômica está robusta – na França, depois de uma recessão de 8,3% em 2020, a expectativa de crescimento neste ano gira em torno de 6%. "A atividade econômica está retomando em todo o lugar na Europa e nos Estados Unidos, e a cada retomada, as empresas são confrontadas a uma dificuldade de recrutamento. A adaptação das qualificações das pessoas ao que as empresas querem não é automática. Sempre há um período de adaptação e de formação”, explica. "Essa falta de mão de obra nada mais é do que um sinal da intensidade da retomada.”
    9/15/2021
    7:34
  • RADAR ECONÔMICO - Aumento de bilionários e volta da pobreza extrema no Brasil simbolizam impacto desigual da crise
    De um lado, 42 novos bilionários, em plena pandemia. De outro, a pobreza extrema não para de subir. A divulgação da nova lista da revista Forbes, com alta no número de bilionários no Brasil, acontece semanas depois de cenas de pessoas comprando ossos para fazer sopa gerarem comoção no país. O que explica tanta desigualdade? Lúcia Müzell, da RFI "É um país que já é muito desigual, integra sempre os primeiros lugares nos rankings de organizações multilaterais em termos de desigualdades, como um dos mais desiguais do mundo. Quando vem um choque totalmente adverso como esse, na economia, acaba por exacerbar ainda mais esse problema pré-existente”, resume o economista Gedeão Locks, pesquisador sobre o tema no Centre d’Économie de la Sorbonne (CES), em Paris. A maioria desses novos bilionários ascendeu ao posto graças à abertura de capital das suas empresas na bolsa – no chamado “boom" dos IPOs, na sigla em inglês para a operação. Eles se beneficiaram de uma conjuntura mundial favorável, com a abundância de liquidez nos mercados financeiros – especialmente os que se posicionam na área de tecnologia e saúde. "Essa notícia dos bilionários em plena crise diz muito sobre o novo perfil dos ricos. A riqueza hoje está concentrada principalmente nos frutos das atividades no mercado financeiro. E isso, no Brasil, representa de fato muito da nossa concentração de riquezas”, afirma Débora Freire, também especialista no tema e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Isso exacerba ainda mais o fato de que são os ricos que detêm ações no mercado financeiro e, se elas se valorizaram, eles ficam mais ricos durante a pandemia”, complementa Locks. Economia real  O problema é que, ao se tornarem bilionários pela valorização de ações, a maior riqueza dessa parcela da população não significa ganhos para a economia como um todo – não gerou mais empregos, tampouco mais distribuição de renda pela arrecadação de impostos. "Enquanto o setor financeiro se beneficiou, a economia real foi impactada fortemente. A produção, os investimentos, que de fato ampliam a capacidade produtiva da economia, os empregos, a renda gerada no trabalho, foram fortemente impactados”, indica Freire. "E esses setores – comércio, serviços – são os que empregam a mão de obra menos qualificada. Então a maior parte da população, e mais vulnerável, que trabalha sem carteira assinada, para ganhar um salário mínimo, foi tremendamente abalada." Reforma tributária não corrige distorções Um instrumento de correção dessas distorções seria uma tabela de Imposto de Renda mais progressiva. A alíquota máxima no Brasil é de 27,5% e atinge todos os que ganham mais de R$ 5,3 mil por mês – uma situação que a reforma tributária apresentada pelo governo não alterou. "A alíquota marginal efetiva, ou seja, o quanto que é efetivamente o imposto dos mais ricos do Brasil, é insignificante. Especialistas do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calcularam entre 7 e 8%, enquanto que uma pessoa que ganha um salário mínimo paga quase um terço da renda em impostos diretos e indiretos. É algo que não faz sentido algum”, aponta Locks. A reforma pautada pelo Ministério da Economia também propõe a isenção de impostos de pessoas jurídicas e autônomos cujas empresas faturam até R$ 4,8 milhões. Trabalhadores com renda até R$ 2,5 mil também ficam isentos, mas a medida se revela pouco efetiva, num país em que 41% dos trabalhadores estão na informalidade, segundo o IBGE. Por outro lado, a tributação dos dividendos finalmente entrou na pauta – embora de maneira limitada, ao atingir apenas os ganhos superiores a R$ 2,8 milhões. "Por mais que a reforma seja um pouco bagunçada, é um avanço institucional que haja a cobrança de impostos sobre dividendos. Apesar de não ser uma grande arrecadação, isso é um passo na direção correta da progressividade tributária no Brasil”, observa o pesquisador da Sorbonne. Recuperação desigual Da mesma forma em que a crise atingiu os brasileiros de maneira desigual, a recuperação econômica também será mais demorada para a base da pirâmide, que naturalmente fica mais exposta a uma depressão. A reabertura de postos de trabalho ainda é lenta, ressalta Freire. "A recuperação foi para poucos. Recuperar o tecido social perdido, pessoas que estavam num emprego formal que foi perdido ou que, mesmo na informalidade, tinham rendimentos menos voláteis, é muito mais difícil e demorado", ressalta a professora da UFMG. "Quanto mais a gente aprofunda a pobreza – voltamos para o mapa da fome, por exemplo, e temos visto um aumento muito significativo da pobreza extrema –, mais difícil é de recuperar."
    9/8/2021
    7:16
  • RADAR ECONÔMICO - Crise hídrica e fantasma do racionamento revelam o preço do negacionismo
    No momento em que o Brasil enfrenta altas consecutivas dos preços da energia elétrica e o risco de faltar luz nos próximos meses, especialistas no setor repetem: eu avisei. Há mais de 10 anos, o problema da dependência do país das hidrelétricas é conhecido, mas ignorado. Pelo contrário, o descontrole do desmatamento acelera uma das consequências mais palpáveis das mudanças climáticas no Brasil, a redução do regime de chuvas – cruciais para a geração da energia. O clima está se tornando mais seco nas regiões que, até pouco tempo atrás, eram garantia de usinas rodando a pleno vapor, inclusive no Sudeste.  O professor de planejamento energético da UFRJ Roberto Schaeffer já alertava há muito tempo sobre os riscos. "Em 2007, a gente já falava: Brasil, cuidado. Essas novas hidrelétricas não vão gerar a energia que estão prometendo, porque elas estão baseadas em históricos de pluviosidade e de rios que os estudos que o Brasil tem feito, projetando o futuro, mostram que não irão se repetir. Há uma tendência de a região Norte se tornar mais seca, do Norte e do Nordeste saírem de uma situação se semiárido para se tornar um deserto", afirma Schaeffer, que é membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU). "A gente já chamava atenção para o fato de que as hidrelétricas, com o passar do tempo, se tornariam menos confiáveis e teríamos que preparar o sistema elétrico brasileiro para isso." A seca histórica no país, a mais grave em pelo menos 91 anos, leva os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste a operarem com 23% da capacidade de armazenamento – o nível mais baixo em 20 anos, quando o país sofreu um grave racionamento de energia. As previsões não são nada animadoras – a estiagem deve fazer com que as hidrelétricas operem com apenas 10% da capacidade em novembro. “Ficamos muito reféns do clima e com as mudanças climáticas, a imprevisibilidade é gigantesca – tanto que essa crise de agora também está ocorrendo não só no Brasil, como no Chile, na Califórnia”, comenta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “O que os estudos mais recentes mostram é que o que realmente custa dinheiro é não fazer nada. Faltar energia elétrica no Brasil neste ano custa mais do que qualquer plano possível de controle de desmatamento”, complementa Schaeffer.   Luz tem aumento três vezes superior ao da inflação A crise hídrica leva o governo brasileiro a acionar as usinas térmicas a carvão e a importar energia de países vizinhos – o que torna o preço da luz ainda mais alto, quase três vezes superior ao aumento da inflação desde janeiro. Atualmente, um terço da energia consumida no país vem das termelétricas.  A campanha de economia de luz é a solução que restou, diante de uma falta de planejamento energético que já vinha antes mesmo de o clima se degradar, ressalta Roberto Pereira d’Araújo, diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina). Assim como Adriano Pires, ele avalia que os apagões nos próximos meses serão quase inevitáveis. “Se você pegar dados de 1950 e colocá-los no sistema atual, nós estaríamos na mesma situação. O que não ocorreu foi investimento. E não tendo investimento, o jeito é pedir para o consumidor consumir menos”, sublinha Araújo. “Se tivesse outras hidrelétricas captando energia de outros rios, que não estão sendo usados, não estaríamos com os reservatórios caindo”, diz o diretor do Iumina.   De olho na eleição Mais preocupado com a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro hesitou até o limite para reconhecer a crise e incitar os brasileiros a economizarem energia. “Do ponto de vista técnico, o correto hoje seria decretar um racionamento, de 8 a 10% da carga. Mas o governo não consegue fazer isso porque acha que faria com que Bolsonaro perca, definitivamente, a eleição”, diz Adriano Pires. “Mas não tem jeito: a energia vai continuar cara e vai ser uma das principais responsáveis pelo crescimento da inflação brasileira, que está disparando”, esclarece. O ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou a situação, ao questionar “qual é o problema de a energia ficar um pouco mais cara”. O clima de incertezas, porém, não ajuda em nada à recuperação da economia, num efeito cascata. Para a indústria, a conta de luz é uma das que mais pesam nas despesas da produção. “A indústria estava num momento de retomada do crescimento, com todo mundo querendo comprar automóvel, geladeira. Havia uma demanda reprimida muito grande em função da pandemia em 2020. Se pegarmos o exemplo de 2001-2002, o racionamento causou uma perda de PIB de 2 a 3 pontos”, frisa Pires. Para as famílias, que já enfrentam a alta da inflação, a energia mais cara significa menos consumo de bens e serviços. “Se você compara a tarifa brasileira com outros países, nós já somos os vice-campeões: só perdemos para a Alemanha”, ressalta Araújo. “Com os aumentos que vão ocorrer, nós vamos com certeza ultrapassar a Alemanha, o que é um vexame total. Como pode o Brasil, com vento, sol, rios, ter a tarifa mais cara do mundo – e nem é por impostos”, salienta. Um relatório inédito divulgado em agosto pelo MapBiomas apontou que a água doce disponível para o consumo no Brasil vem desaparecendo num ritmo assustador: 15,7% acabou nos últimos 35 anos, uma consequência do processo de desertificação por que passam biomas como o amazônico.
    9/1/2021
    6:15
  • RADAR ECONÔMICO - Depois de sucesso na Islândia, semana de 4 dias de trabalho inspira países europeus
    Uma experiência de sucesso na Islândia reacendeu as esperanças dos entusiastas da redução da jornada de trabalho pela Europa. Em países como Alemanha, França, Espanha e até no Reino Unido, a ideia de passar para quatro dias de trabalho por semana ganha adeptos, na esteira das reflexões geradas pela pandemia de coronavírus sobre o futuro da organização laboral. Lúcia Müzell, da RFI Durante quatro anos, o pequeno país nórdico promoveu um teste em 1% da população, que cortou um dia útil de trabalho na semana, sem redução de salário. Resultado: funcionários igualmente produtivos, mas mais satisfeitos e motivados com o trabalho, além de menos estressados.  “É inegável e todos os trabalhos acadêmicos demonstram que há uma correlação positiva entre satisfação e produtividade”, comenta o economista Erwann Tison, diretor de pesquisas do think tank Institut Sapiens, em entrevista à RFI Brasil. “Temos experiências emergindo de todos os lados no mercado de trabalho, afinal temos a tecnologia e a vontade, sobretudo, de trabalhar de outro jeito. Mas também teremos que cuidar para que a experiência não acabe em algo completamente maluco como trabalhar quatro dias, de modo remoto, do outro lado do mundo.” Chefes de fora O teste na Islândia, promovido pela prefeitura da capital Reykjavik, o governo islandês e dois think tanks (Association for democracy and sustainability e Autonomy), levou 2,5 mil pessoas a trabalharem 35 horas por semana, em apenas quatro dias. O teste se concentrou no setor de serviços e envolveu funcionários públicos, privados, em escolas e em hospitais. Modificações foram implementadas para melhorar a produtividade, como diminuir a duração de reuniões e cortar tarefas que se revelaram inúteis. Os empregos industriais, que tenderiam a ficar mais cansativos com o novo esquema, ficaram de fora. Para os participantes, o balanço foi amplamente positivo, em especial quanto ao melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Com três dias de descanso, as pessoas passaram a se dedicar mais aos hobbies, à família e atividades sociais, enquanto nos quatro restantes se empenharam mais no trabalho. Por outro lado, os dirigentes e ocupantes de postos de maior responsabilidade tiveram mais dificuldade em se adaptar ou abandonaram a nova organização – a carga de trabalho deles não cabia em apenas 35 horas semanais. Outros, simplesmente preferiram continuar diluindo as tarefas em mais dias na semana. “Não acho que essa medida deveria passar pela lei, em nível nacional. Ela deve ser resultado de uma negociação entre uma empresa e seus funcionários, afinal os casos são todos diferentes, de acordo com o setor, com a empresa e a vida das pessoas”, avalia Tison. “Sem contar que país nenhum poderia paralisar setores da economia por um dia inteiro.” Ventos da flexibilização pela Europa De que maneira a experiência islandesa poderá inspirar outros países? Na França, partidos de esquerda e os ecologistas prometem trazer a questão à tona já nas eleições presidenciais do ano que vem. Os franceses já têm experiência no ramo: há 23 anos, o país adotou o regime de 35 horas semanais, com o objetivo de abrir mais vagas de empregos. Entretanto, na prática, um trabalhador francês trabalha 39 horas por semana e, segundo o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos), a medida gerou cerca de 350 mil empregos apenas – distante do objetivo de 2 milhões de vagas, esperadas pelos socialistas idealizadores do projeto. Para o economista Erwann Tison, a ampliação desse esquema traria riscos à economia como um todo. “Haveria um risco grande de isso se tornar um problema. Os franceses estão entre os trabalhadores mais produtivos do mundo e é graças a isso que garantimos o funcionamento da nossa economia, que geramos o crescimento necessário para a abertura de novos empregos, que financiamos a nossa proteção social e os gastos públicos”, explica. “Diminuir o tempo de trabalho para quatro dias poderia amputar drasticamente o nosso PIB e o nosso crescimento”, analisa.   O governo do presidente Emmanuel Macron parece concordar: avalia que o país sofre para empregar a mão de obra menos qualificada e a semana de 32 horas acentuaria o problema. Influência da crise sanitária Os ventos da redução da jornada também sopram na Alemanha, onde uma medida semelhante foi adotada no auge da pandemia para evitar mais desemprego e a reflexão sobre a perenidade da semana reduzida se instalou. A crise sanitária exerce uma influência de peso no debate, depois da implementação em massa do trabalho remoto. Na Espanha, o partido Mas Pais vai lançar, nos próximos meses, um projeto parecido com o islandês, com 3 a 6 mil trabalhadores espanhóis a 32 horas por semana, durante três anos. Cerca de 200 empresas do país participarão da iniciativa. Já na Grã-Bretanha, um grupo de 40 deputados solicitou ao governo a criação de uma comissão para analisar essa possibilidade. “Não acho que seja uma utopia e o exemplo islandês é uma amostra. É possível realizar em qualquer lugar”, afirma Tison. “A questão que está por trás dessa semana de quatro dias é interessante, porque há décadas registramos uma queda do tempo de trabalho, graças às tecnologias. Mas queremos chegar a trabalhar só algumas horas por dia? Afinal, é também pelo trabalho que nos realizamos, que temos outras interações sociais e que conseguimos nos emancipar”, observa o diretor de pesquisas do Institut Sapiens.
    8/25/2021
    6:11

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